"Teu dever é lutar pelo direito, mas no dia em que encontrares o direito em conflito com a justiça, luta pela justiça."

Dos mandamentos do advogado
Eduardo Couture

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Linguagem e Comunicação Jurídica

ARGUMENTAÇÃO

Professora Hélide

ARGUMENTAÇÃO

“Sem a argumentação, o Direito é inerte e inoperante.”
Victor Gabriel Rodriguez

Nas relações com outros indivíduos, o homem usa a linguagem como um mecanismo de ação carregado de intencionalidade.
A linguagem torna-se o instrumento para a interação social, transmitindo pensamentos, vontades, experiências, tentando envolver o destinatário na consciência interior do locutor, a fim de que participe da sua realidade e de seu conhecimento de mundo.
Quando há o ato interativo, o locutor tem a intenção de atuar no pensamento e no agir do seu ouvinte.
Essa intencionalidade no discurso é realizada por meio de argumentos.
E é nesse discurso argumentado que há pretensões, há persuasão.

* O QUE É ARGUMENTAR?

* Argumentar é oferecer razões para sustentar um ponto de vista, um teste, ou uma conclusão.

* O objetivo de todo o discurso argumentativo é modificar o comportamento do auditório, ou seja, provocar uma atitude ou crenças novas ou alterar atitudes ou crenças existentes.

* Argumentar é a arte de convencer e persuadir. Convencer é saber gerenciar informação, é falar à razão do outro, demonstrando, provando. (...) Persuadir é saber gerenciar relação, é falar à emoção do outro. (...) Mas em que convencer se diferencia de persuadir? Convencer é construir algo no campo das idéias. Quando convencemos alguém, esse alguém passa a pensar como nós. Persuadir é construir no terreno das emoções, é sensibilizar o outro para agir.

* Quando o advogado se põe diante de uma causa concreta, deve elaborar uma tese de defesa dos interesses de seu cliente. Para tanto, estuda a pretensão deste, ouve com atenção suas alegações leigas, toma conhecimento de todos os elementos fáticos e argumentativos que lhe possam ser úteis. A partir daí, estuda, consulta, lê, até o momento em que consegue elaborar uma tese viável para seu cliente. Formular a tese não significa que a petição inicial, por exemplo, está pronta, mas já deu seu passo inicial.

* Antes de convencer alguém, o advogado procura convencer-se a si mesmo de que a solução a ser pleiteada é a melhor. Para isso, procede a uma análise prévia do processo, sendo seu primeiro julgador. Sob a ótica da tese contrária, imagina todos os argumentos oponíveis aos seus e tenta combatê-los mentalmente.

PERSUADIR X CONVENCER

* “Para quem se preocupa com o resultado, persuadir é mais do que convencer, pois a convicção não passa da primeira fase que leva à ação” (...) “Em contrapartida, para quem está preocupado com o caráter racional da adesão, convencer é mais do que persuadir” (Perelman)

ARISTÓTELES

* Diferente dos sofistas, Aristóteles ensinava a persuadir tanto pelo sentimento como pela prova; a intenção é que comandava o uso da palavra. Aristóteles colocava a retórica a serviço do verdadeiro e do justo e a definia como "instrumento da opinião", em que o orador recorria a ela para persuadir um auditório; havia um empenho em interessar, impressionar, convencer e, em seguida, levar à ação. Aristóteles percebeu que a honestidade e a justiça eram argumentos bons para conquistar a adesão do auditório.

RECURSOS DE LINGUAGEM

Temos como recursos da linguagem persuasiva, dentre outros, os "estilos e as figuras", como por exemplo:- praticar a tautologia ("eu sei, eu creio");- utilizar máximas ("nem tudo é possível");- colocar-se no meio dos interlocutores ("nós todos podemos...");- criar frases feitas ("uma sociedade mais justa, mais humana, mais livre");- estabelecer constatação, a fim de fazer afirmativas que se pretendem inegáveis ("trata-se de..., é verdade..., é preciso dizer...");-utilizar perguntas retóricas (transmitir certezas sob forma de perguntas feitas aos interlocutores). Ex.: Vocês querem obter o grau de bacharéis em Direito?

1. CREDIBILIDADE - o persuadido, para a "aceitação de uma idéia“, exigirá que seja verdadeira, e para ser verdadeira, ela deve relacionar-se com fatos, testemunhos, provas.

* COERÊNCIA - o "persuasor" entra na ordem da demonstração da lógica e da argumentação. Preocupado com a coerência, terá, portanto, interesse em testar a qualidade das interdependências e das relações entre as partes de seu discurso.

* CONSISTÊNCIA - o "persuasor" demonstra consistência quando há uma continuidade no seu propósito, quando aquilo que ele diz hoje não se opõe ao que dizia ontem.

* A partir desses itens, percebemos que a escolha das palavras, o encadeamento das idéias, o domínio dos conectivos, são alguns dos elementos que marcam a intencionalidade na persuasão. São eles que fazem com que o discurso produza um efeito desejado sobre o interlocutor de forma coerente.

“POR TRÁS DE TODO DISCURSO SUBJAZ UMA IDEOLOGIA”
INGEDORE KOCK

BIBLIOGRAFIA
* BELLENGER, Lionel. A persuasão e suas técnicas. Tradução: Waltensir Dutra, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1987.
* BUZZI, Arcângelo R. Introdução ao pensar: O Ser, o Conhecimento, a Linguagem. 22a. ed. Petrópolis-RJ: Editora Vozes, 1994.
* CITELLI, Adilson. Linguagem e Persusão. 1ed. São Paulo: Ática, 1985. (Série Princípios).
* DUCROT, Oswald. O dizer e o dito. Revisão da Tradução: Eduardo Guimarães. Campinas, SP: Pontes, 1987.


* GARCIA, Othon M. Comunicação em Prosa Moderna. 17a. ed. Rio de Janeiro: Ed. Fundação Getúlio Vargas, 1997.
* GUIMARÃES, Eduardo. Texto e argumentação: um estudo de conjunção do português. Campinas/SP: Pontes, 1987.
* PERELMAN, Chaïm. Le Champ de l’argumentation. Presses Universitaires de Bruxelles, 1970. ANÁLISE ARGUMENTATIVA
* “O exórdio que se refere ao auditório visará a estimular o amor-próprio deste, falando de suas capacidades, de seu bom senso, de sua boa vontade”. (Perelman)
ANÁLISE
* O advogado faz o exórdio falando da sua experiência e do seu currículo, cita as viagens que fez ao exterior e por várias vezes, anuncia que tem 62 anos de idade.

APOSTILA DE VERBETES JURÍDICOS http://pdfmenot.com/store_local/4e03553f6f7ff0ab40753796b1398408.pdf


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LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO JURÍDICA PROFESSORA HÉLIDE

LINGUAGEM JURÍDICA Dr Luís Roberto Barroso - UERJ .

A linguagem jurídica deve ser clara, simples e precisa. Sujeito, verbo e predicado, de preferência nessa ordem. Ninguém é mais inteligente por chamar o STF de Excelso Pretório....
A linguagem deve ser civilizada. A agressividade, a grosseria, a violência verbal não contribuem para a causa da humanidade, nem tampouco para a causa que está em disputa. É possível ser firme e elegante, destemido e gentil. A raiva e o destempero são maus parceiros, no Direito e na vida.. Advogar, opinar, julgar constituem exercícios de argumentação, que é a linguagem como instrumento de racionalidade e de convencimento... Os operadores do direito não falam só para si. É necessário conservar e aprimorar a capacidade de interlocução com o auditório mais amplo que é a sociedade.. É preciso conter a tendência, persistente no meio jurídico, de falar demais ou escrever infinitamente. Não ser prolixo, não se apaixonar pela própria voz ou pela própria escrita. Esse é um amor condenado ao fracasso.

LINGUAGEM ORAL E LINGUAGEM ESCRITA .

CARACTERÍSTICAS DA LINGUAGEM ORAL: Entonação, timbre, altura, ênfase, pausas, velocidade da enunciação... Pressupõe contato direto com o falante, o que a torna mais concreta; é mais espontânea; possui vocabulário mais restrito, mas está em constante renovação.

CARACTERÍSTICAS DA LINGUAGEM ORAL . Repetição de palavras . Colocação pronominal livre . Frases inacabadas . Frases feitas, chavões . Menor preocupação com as regras gramaticais...

LINGUAGEM ESCRITA .

A escrita apareceu em estágios mais avançados da civilização, mas até hoje ainda existem línguas ágrafas, isto é, sem escrita. . A escrita adquiriu, ao longo do tempo, tão alto prestígio, a ponto de se esquecer que, a linguagem oral, anterior a ela, é a que lhe serve de suporte. . A escrita é uma tentativa imperfeita de reprodução gráfica dos sons da língua.

CARACTERÍSTICAS DA LINGUAGEM ESCRITA .

Mantém contato indireto entre quem escreve e quem lê, o que a torna mais abstrata; é mais refletida, exige grande esforço de elaboração e obediência às regras gramaticais. . Possui vocabulário mais apurado e é, por natureza, mais conservadora. . Deve ter clareza na redação, por não contar com os recursos extralingüísticos.

LINGUAGEM JURÍDICA .

Importância do domínio das duas linguagens (oral e escrita) . Amplitude de vocabulário . Raciocínio lógico . Argumentar (convencer / persuadir / sofismar)

Um comentário:

Anônimo disse...

Por favor colegas é excelente a explicação de voces. Gostaria de ver uma prova objetiva sobre Linguagem e Comunicação Jurídica, mais ou menos umas 20 questões. Pode ser?